167 – Anonimato

-Desculpa senhor, você está bem?

-Ahm? Oi?

- Não pude deixar de notar. Percebi que você está meio triste. Aconteceu alguma coisa?

-Pior que sim.

-Posso ajudar?

- Acho difícil.

- Credo, que baixo astral. Ate parece que o mundo vai acabar.

- Na verdade, parece que o mundo vai acordar.

- Tenho impressão que te conheço de algum lugar.

- Provavelmente.

-Sim, claro. Eu te conheço! Te vi na televisão. Nossa, como pude esquecer?

- Assim como trilhões de pessoas.

- Você estava radiante, feliz, viajando o mundo inteiro, dando entrevistas, participando de comerciais, em turnê pelo Brasil inteiro e também pelo mundo. Nossa! O que aconteceu? Por que tanta tristeza agora?

-Todo carnaval tem seu fim.

-Nossa! Assim você se mata.

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166- Um show de vizinha

São Paulo, Edifício Messer, Hall do elevador.

Dim Dom!
-Olha aqui sua mal educada! Já fazem alguns meses que todo dia, no mesmo horário, você anda de salto alto, até altas horas, arrumando seu apartamento. Acontece que sou o vizinho de baixo e tenho que conviver com essa sua rotina barulhenta, que não se preocupa com os outros a sua volta.
Pausa para recuperar o fôlego.
-Nunca pensou em tirar esse maldito salto?
Click.

A porta abre.
-Pois não? – Responde a vizinha do apartamento 22.
Silêncio.
-Posso ajudar? – Insiste a vizinha.
-Ahmmm… O Pe.. Pedro mora aqui?-
-Não. Deve ser no andar de baixo.
-É… tudo bem. Obrigado.
A porta se fecha.
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165- Reciclando idéias

NOSSA!
“346 atualizações”
(Click)
Bobagem, não quero saber, fulana casou, BBB, “estou feliz”, Luiza, não me interessa, “estou com sono”, “bebi todas”, ninguém te perguntou, blá, blá, blá…
(Barra de rolagem modo extra rápido)
Hummmmm…
Aff…
Posicionar mouse em cima do nome, amigos, desfazer amizade…
(click)
Ok.
(click)
Ufa!
Vou ali.
(Limpeza digital do dia concluída)

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164- Sábado de sol?

Nada para fazer?
“Observe a chuva.”

Observe cada detalhe. As gotas caindo no asfalto que antes era quente; a correnteza formada nas sarjetas, que traz sujeiras descartadas pelas pessoas; os carros, sem se preocuparem com quem está em volta, passam em alta velocidade, deixando um rastro de pequenas ondas.
O som da chuva tranqüiliza, em um som constante que relaxa o corpo e a mente. O sono é inevitável.
A chuva, o som, o sono.
A chuva.
O som.
O so…
Zzz!

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163- O retorno – Visitas

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Tarde, 22 de dezembro, calor infernal, dia de visitas.

Dez dias em um mesmo local, pode ser uma eternidade para alguns, mas não pra mim. Percebi que se não aproveitar bem cada segundo nesta cidade, tudo passará muito rápido.
Roteiro pronto, lembranças em mãos e uma idéia na cabeça.
Depois de alguns minutos atualizando as novidades – com pessoas que fizeram parte de sua vida – hora de partir, para observar a despedida do astro rei e sentir a brisa do mar.
Depois de algumas horas jogando conversa fora e caminhando pela orla, volto pra casa com a sensação de dever cumprido.

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162- O retorno – Parte 01

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O retorno foi cansativo. Foram horas rasgando o céu do Brasil, nublado abaixo, um sol escaldante acima e os olhos ardiam ao tentar espiar pela janela. Muita ansiedade e desconforto durante toda a viagem, mas tudo foi tranqüilizado pelas palavras escritas de Dan Brown em a Fortaleza Digital, um drama bem estruturado.
Ao desembarcar, aquele vento quente – típico das regiões próximas a linha do equador – penetrou em minhas narinas, meu corpo tremeu com um choque térmico que minha renite adora. Depois, uma recepção calorosa (literalmente) da pessoa que faz falta na minha vida. Ela, toda elegante, desfilava pelo setor restrito do aeroporto, usufruindo dos direitos que poucos possuem. Como ela mudou. Estava radiante, com aquele ar de superioridade, entre os meros mortais. E dai? Dei um abraço tão apertado de felicidade ao encontra-lá. Fomos almoçar, colocamos a conversa em dia e depois de algumas horas, me deixou em frente ao meu CEP. Um bom filho à casa torna.

To be continue!

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161- O bom filho

Nossa…

Faz exatamente um ano que não retorno para minha terra natal. Tanta coisa aconteceu nesse tempo. Trabalhos, festas, lugares novos, pessoas novas, amigos, experiências que só vivenciando para entender.

Agora, retorno com 23kg compactados em uma estrutura rígida, uma mochila nas costas e a sensação de estar esquecendo algo. Serão quinze dias implementando o lema “por uma vida mais off-line”. Talvez, escreva algo enquanto estive sentado, a beira da praia, bebendo uma água de coco, esperando o almoço chegar, com os pés na areia, curtindo o atlântico e o astro rei.

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